Como a ansiedade afeta o seu processo decisório

Lendo Erich Fromm, especialmente o livro “O medo à liberdade” fica evidente que o ser humano, em seu desenvolvimento, passou por diferentes fases e tipos de vida.

Por exemplo, na idade média, os jovens tinham poucas preocupações, algumas delas muito sérias, tais como ter o que comer. Porém, por outro lado, tinham pouquíssimas escolhas a serem feitas sobre o seu futuro. Geralmente os homens aprendiam a profissão do pai e as mulheres eram preparadas pela mãe para serem futuras esposas, donas de casa e produtoras de filhos.

Hoje, em alguns países, a vida ainda é quase assim. Porém, na maioria deles, a vida envolve decisões e escolhas a serem feitas, algumas delas desde cedo. Isto criou situações novas, nas quais os seres humanos foram obrigados a tomar decisões muito importantes sobre o seu futuro e a ter que pesar a possibilidade de uma decisão errada e as suas consequências.

Isto criou condições propícias para o aparecimento de uma condição que hoje afeta muitos indivíduos, conhecida como ansiedade. Consequentemente, foi criado um enorme mercado para o desenvolvimento e venda de um tipo de produto farmacêutico conhecido como ansiolíticos, ou ‘calmantes’.

Para dar apenas um pequeno exemplo das possíveis consequências desta condição, lembro-me de um experimento, no qual um cientista colocou um rato numa gaiola e por fora dela deixou circular livremente um gato. Embora o gato não pudesse alcançar o rato, a sua simples presença causou tal estado de ansiedade no rato (ameaça de morte) que o rato desenvolveu úlceras no estômago.

A reação de ansiedade é também chamada de alerta geral, ou, em inglês, de “fight or flight” (luta ou fuga). A sua fisiologia foi estudada por Walter Bradford Cannon e se resume numa cascata de reações comandadas pelo sistema nervoso simpático, principalmente através da produção de adrenalina e de noradrenalina.

Um exemplo desta situação na vida real são as úlceras de estômago ou do duodeno, a hipertensão arterial e outras doenças chamadas psicossomáticas.

Sem dúvida, a crescente ansiedade interfere no processo decisório das pessoas e, quase sempre, prejudica este processo, levando à tomada de decisões precipitadas, em virtude da avaliação mal feita dos fatores envolvidos no problema a ser resolvido.

É possível conviver bem com a ansiedade? É possível transforma-la num fator positivo, que nos ajude a tomar as decisões mais importantes das nossas vidas e fazer isto de forma adequada?

Sim, é. Vejamos algumas recomendações sobre como fazer isto:

1. Tomar consciência do que realmente está acontecendo. Parar para pensar e definir o que está causando o estado de ansiedade (suor frio, aumento da frequência cardíaca, tremor, etc.). Melhorar a percepção dos fatos, de forma a possibilitar melhores decisões.

2. Considerar um certo grau de ansiedade como uma coisa positiva. Na realidade, nesta situação o cérebro fica mais ativo, desperto e indica que você está diante de uma situação nova e excitante, estimulante.

3. Esta é uma reação natural e pode ser favorável. Há quem diga que um certo grau de ansiedade é necessário para que o seu desempenho chegue ao máximo. Isto acontece com muitos indivíduos famosos pela capacidade de melhorar o seu desempenho quando atuam sob pressão.

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